PAÇO DO LUMIAR – A cada virada de ano, quem está perto da aposentadoria precisa redobrar a atenção. A reforma da Previdência de 2019 não apenas endureceu as regras como criou um sistema de transição automática que muda ano após ano, tornando o planejamento previdenciário mais complexo e, para muitos trabalhadores, mais distante.
Em 2026, novas alterações entram em vigor e afetam diretamente quem pretendia se aposentar por tempo de contribuição. A elevação da pontuação — agora em 93 pontos para mulheres e 103 para homens — deixa claro que o objetivo da reforma é postergar cada vez mais a saída do mercado de trabalho. Na prática, mesmo quem contribuiu por décadas pode se ver obrigado a trabalhar mais tempo apenas para alcançar a soma exigida entre idade e contribuição.
No caso dos servidores públicos, embora a regra de pontuação seja semelhante, as exigências adicionais de idade mínima, tempo no serviço público e permanência no cargo tornam o caminho ainda mais restritivo. Isso reforça a percepção de que a aposentadoria integral e previsível, como existia antes da reforma, tornou-se exceção.
Outra regra de transição, que combina idade mínima e longo tempo de contribuição, também ficou mais severa. O aumento progressivo da idade mínima — seis meses por ano — empurra a aposentadoria para mais perto dos 65 anos, igualando gradualmente homens e mulheres. Ainda que o tempo de contribuição permaneça elevado (30 anos para mulheres e 35 para homens), o fator idade passou a ser decisivo.
Os professores, tradicionalmente beneficiados por regras diferenciadas, também sentiram o peso da reforma. Embora ainda contem com idade e tempo de contribuição menores, o aumento gradual da idade mínima mostra que nem mesmo categorias essenciais escaparam do ajuste fiscal imposto ao sistema previdenciário.
Por outro lado, a aposentadoria por idade tornou-se a regra mais estável desde 2023. Com idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, e apenas 15 anos de contribuição, ela acaba sendo a alternativa mais realista para trabalhadores de baixa renda ou com histórico contributivo irregular. Ainda assim, o benefício costuma ser menor, o que levanta questionamentos sobre a suficiência da renda na velhice.
As regras de pedágio, que já foram totalmente cumpridas, mostram que a reforma teve efeitos imediatos e definitivos para uma geração inteira de trabalhadores. Quem não conseguiu se enquadrar a tempo perdeu a chance de se aposentar em condições mais vantajosas.
Diante desse cenário, a simulação disponibilizada pelo INSS deixa de ser apenas uma ferramenta opcional e passa a ser quase obrigatória. Entender em qual regra o segurado se encaixa e quanto tempo ainda falta para se aposentar é essencial para evitar surpresas desagradáveis.
No fim das contas, a reforma da Previdência consolidou uma nova lógica: a aposentadoria deixou de ser um direito previsível baseado apenas no tempo de trabalho e passou a exigir planejamento constante, acompanhamento anual das regras e, muitas vezes, a aceitação de que será preciso trabalhar mais do que o imaginado.
BNC Economia
