SANTA RITA – O primeiro domingo de 2026 não foi apenas mais uma data no calendário político maranhense. No quilombo Cariongo, em Santa Rita, a presença do pré-candidato ao Governo do Estado, Enilton Rodrigues (PSOL), simbolizou algo maior: a tentativa concreta de reorganizar a esquerda a partir do diálogo com o povo e da escuta dos territórios historicamente invisibilizados.
Ao reunir dirigentes do PSOL, PT, PCdoB, Rede e PSB, além de movimentos sociais, o encontro foi mais do que protocolar. Representou um esforço de reconstrução da unidade política em torno de um projeto popular e progressista para o Maranhão. Em tempos de fragmentação e disputas internas, a disposição para o diálogo aparece como um gesto político necessário — e urgente.
A reafirmação da prioridade pela reeleição do presidente Lula demonstra maturidade estratégica das forças presentes, ao reconhecer que a conjuntura nacional impacta diretamente os rumos do estado. Mais do que isso, o compromisso com a construção de uma candidatura única ao governo estadual aponta para um entendimento claro: sem unidade, a esquerda maranhense corre o risco de desperdiçar sua força social e política.
O simbolismo do local escolhido também não pode ser ignorado. Realizar o encontro em um quilombo é reconhecer que a transformação do Maranhão passa, obrigatoriamente, pela valorização dos povos tradicionais, pela justiça social e pelo enfrentamento das desigualdades históricas.
Enilton Rodrigues, ao se colocar como pré-candidato em um espaço de escuta coletiva, sinaliza que sua construção política não pretende ser individual, mas fruto de um processo compartilhado. Resta saber se esse espírito de unidade e compromisso popular conseguirá se manter até o momento decisivo das eleições — desafio que testará a coerência e a capacidade de convergência da esquerda no estado.
