A reaparição de Enilton Rodrigues (PSOL) nas pesquisas eleitorais do Maranhão não pode ser lida apenas como um tímido 0,7% das intenções de voto. O dado, em si, é menos revelador do que o processo político que ele denuncia: por meses, um pré-candidato oficialmente lançado foi simplesmente ignorado por institutos e levantamentos que se propõem a retratar a realidade eleitoral do estado.
Em democracias saudáveis, pesquisas não criam candidaturas — mas podem, sim, invisibilizá-las. O chamado “apagão estatístico” imposto a Enilton Rodrigues revela uma distorção recorrente: só existe, para muitos levantamentos, quem já tem máquina, mandato ou apadrinhamento forte. Quem representa ruptura, especialmente pela esquerda fora do eixo tradicional de poder, costuma ser tratado como irrelevante antes mesmo de ser medido.
Por isso, o destaque da pesquisa do Instituto EPO não está apenas na pontuação do pré-candidato do PSOL, mas no fato de ele finalmente ter sido incluído. Em um levantamento robusto, com mais de 16 mil eleitores ouvidos em quase 200 municípios, a presença de Enilton corrige uma omissão política grave e recoloca o debate em termos mais honestos.
Outro dado que desmonta a narrativa de “jogo decidido” é o alto percentual de indecisos, votos brancos, nulos ou em nenhum dos nomes: 18,3%. Trata-se de um eleitorado expressivo, majoritariamente composto por pessoas que não se sentem representadas pelas figuras tradicionais. É exatamente aí que candidaturas como a de Enilton podem crescer — se tiverem espaço, visibilidade e tratamento isonômico.
Militante histórico, ligado às lutas dos trabalhadores, da juventude e das populações mais pobres, Enilton Rodrigues passa agora a existir oficialmente no tabuleiro eleitoral. Não porque virou favorito, mas porque deixou de ser silenciado. E, em política, ser visto já é um ato de disputa.
A eleição de 2026 ainda está distante. A história mostra que muitos nomes que começaram “pequenos” só pareciam assim porque não eram medidos. O maior risco para a democracia não é uma candidatura com 0,7%, mas um sistema que decide, antes do voto, quem merece ou não ser contado.
