TURILÂNDIA – O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) decretou, nesta sexta-feira (23), intervenção no município de Turilândia (MA) após investigações apontarem um esquema de desvio de recursos públicos que teria causado prejuízo superior a R$ 56 milhões aos cofres municipais. A medida terá duração inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada.
A decisão envolve o prefeito Paulo Curió, sua esposa Eva Curió, a vice-prefeita Tânya Karla e a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima, denunciados pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA).
Por que Turilândia sofreu intervenção judicial?
Segundo o Ministério Público, o esquema criminoso teve início em 2021 e funcionava por meio de licitações simuladas e notas fiscais fraudulentas, principalmente na compra de combustíveis e serviços.
O MP estima que o prejuízo total aos cofres públicos foi de R$ 56.328.937,59, com retorno de até 90% dos valores pagos ao prefeito e pessoas próximas.
Governador do Maranhão deve nomear interventor
Conforme a decisão do TJMA, caberá ao governador Carlos Brandão nomear um interventor no prazo de até 15 dias. A intervenção atinge exclusivamente o Poder Executivo municipal, mantendo as atividades da Câmara Municipal de Turilândia.
O interventor deverá apresentar, em até 90 dias, um relatório detalhado sobre a situação administrativa e financeira do município. O tribunal também determinou a realização de auditoria nas contas públicas.
Operação Tântalo II: prisões e afastamentos
Os investigados foram presos durante a Operação Tântalo II, deflagrada em dezembro do ano passado. O prefeito Paulo Curió e a vice-prefeita Tânya Karla tiveram prisão preventiva decretada e foram afastados das funções.
Desde então, o município vinha sendo administrado pelo presidente da Câmara, José Luís Araújo Diniz, conhecido como Pelego, que também é investigado e cumpre prisão domiciliar, assim como outros vereadores.
Superfaturamento de combustíveis chamou atenção do MP
Um dos principais indícios do esquema foi o superfaturamento na compra de combustíveis. Apenas em 2022, a Prefeitura de Turilândia pagou por mais de 150 mil litros de gasolina e 172 mil litros de óleo diesel para abastecer uma frota de apenas dez veículos.
De acordo com cálculos do MP, o volume de diesel adquirido permitiria que os veículos percorressem mais de 1,2 milhão de quilômetros por ano, o equivalente a cerca de 791 km por dia, distância próxima ao trajeto entre Turilândia (MA) e Jericoacoara (CE).
Empresas investigadas no esquema de Turilândia
As investigações envolvem diversas empresas suspeitas de participar do esquema, entre elas:
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Posto Turi
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SP Freitas Júnior LTDA
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Luminer e Serviços LTDA
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MR Costa LTDA
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AB Ferreira LTDA
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Climatech Refrigeração e Serviços Ltda
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JEC Empreendimentos
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Potencial Empreendimentos e Cia Ltda
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WJ Barros Consultoria Contábil
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Agromais Pecuária e Piscicultura LTDA
Além de outras pessoas físicas, servidores públicos e empresas.
Ministério Público aponta grave comprometimento da ordem pública
Ao pedir a intervenção, o Ministério Público destacou que medidas anteriores — como prisões, afastamentos, buscas e apreensões — não foram suficientes para conter a atuação da organização criminosa.
Durante a Operação Tântalo II, foram apreendidos mais de R$ 2 milhões em dinheiro vivo, o que, segundo o MP, demonstra a continuidade das atividades ilícitas e uma afronta ao Poder Judiciário e à população de Turilândia, município da Baixada Maranhense com cerca de 31 mil habitantes.
BNC Política
