ALEMANHA – O Brasil saiu do Mundial de Ginástica Rítmica, em Frankfurt, na Alemanha, com dois ouros inéditos e uma vaga garantida nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Depois do bronze na prova geral, conquistado no sábado (15), a equipe brasileira voltou ao tablado no último domingo (16) e venceu as finais de cinco bolas e da série mista.
As duas conquistas vieram diante de adversárias de peso. Nas cinco bolas, o Brasil superou China e Bulgária, enquanto, na série mista, deixou para trás a Espanha, campeã geral do Mundial, e novamente a Bulgária. Nas duas apresentações, a equipe brasileira recebeu 29,450 pontos, as maiores notas da temporada.
A escalada até o pódio
O título é resultado de uma trajetória que ganhou força nos últimos anos. Quando Camila Ferezin assumiu como técnica, o Brasil ocupava a 26ª posição no cenário mundial. A partir dali, a equipe passou a se aproximar das principais seleções da modalidade e, competição após competição, ampliou sua presença entre as melhores.
No Mundial de 2025, no Rio de Janeiro, foram duas medalhas de prata. Em 2026, o conjunto conquistou o ouro inédito no geral da etapa de Milão da Copa do Mundo. Em Frankfurt, antes dos dois títulos, já havia garantido o bronze na prova geral e a inédita classificação antecipada para os Jogos de Los Angeles.
“Quando assumi a Seleção Brasileira, éramos a 26ª equipe do mundo. Existia um sonho enorme, mas também sabíamos o tamanho do caminho que precisaríamos percorrer”, afirmou Camila Ferezin. “Primeiro sonhamos em estar entre as melhores. Depois, começamos a competir de igual para igual com elas. E hoje estamos no lugar mais alto.”
Uma final depois da outra
A primeira vitória veio nas cinco bolas. O Brasil chegou à decisão com a oitava e última vaga, depois de uma falha na classificatória. Na final, porém, apresentou uma série sem erros ao som de Feeling Good, de Michael Bublé, e recebeu 29,450 pontos, acima dos 29,250 registrados no Pan-Americano de junho, até então a maior marca mundial da temporada.

A China ficou com 28,900 pontos e a Bulgária, com 28,400. O resultado deu ao Brasil seu primeiro título mundial em uma prova de conjunto da ginástica rítmica e fez do país o primeiro representante das Américas a conquistar o ouro nessa disputa.
Horas depois, as brasileiras voltaram ao tablado para a final da série mista, com três arcos e dois pares de maças. Ao som de Abracadabra, de Lady Gaga, repetiram os 29,450 pontos e levaram o segundo ouro do dia. A Espanha terminou com a prata, com 29,050, e a Bulgária ficou com o bronze, com 28,750.
A equipe que competiu em Frankfurt foi formada por Maria Eduarda Arakaki, Nicole Pírcio, Sofia Madeira, Maria Paula Caminha, Mariane Gonçalves e Julia Kurunczi. Ao final do Mundial, o Brasil acumulou dois ouros, um bronze e a vaga olímpica.
Uma conquista construída por muitas mãos
O resultado também expõe o trabalho que existe por trás das apresentações. A formação do conjunto envolve treinadores, coreógrafos, profissionais de preparação física, fisioterapia, medicina, psicologia, nutrição e gestão, além das próprias atletas. Para Camila, o título é resultado desse trabalho coletivo.
“Essa medalha é fruto do trabalho de muitas mãos. Muitas mesmo”, afirmou a técnica, ao destacar a dedicação das ginastas e de toda a equipe que atua nos bastidores.
Para a capitã Maria Eduarda Arakaki, o resultado também é consequência do trabalho desenvolvido antes de cada apresentação. “A medalha é consequência”, afirmou. O objetivo, segundo ela, é entrar no tablado, executar o que foi preparado e sair satisfeita com o próprio desempenho.
Camila calcula em 15 anos o caminho percorrido até o título. Em Frankfurt, esse percurso chegou ao ponto mais alto: o Brasil, que já esteve na 26ª posição mundial, agora deixa o Mundial com dois títulos inéditos e uma vaga olímpica garantida.
Em 2028, Los Angeles será o próximo palco. A equipe brasileira chegará aos Jogos depois de ter feito, em Frankfurt, aquilo que durante anos parecia distante: disputar entre as melhores e vencer.
“Espero que, a partir de hoje, toda menina que esteja começando na ginástica rítmica em qualquer lugar do Brasil olhe para essa medalha e saiba que ela também pode sonhar grande. O Brasil é campeão mundial. E ninguém poderá tirar isso da história”, comemora Camila.
