GRANDE ILHA – Um dos clubes mais populares do país, o Vasco parece viver um inferno sem fim. A nova má notícia para os cruzmaltinos é a execução de R$ 93,5 milhões de reais em dívidas trabalhistas.Assim, parte das receitas deverão ir direto para os credores, o que complica ainda mais a saúde financeira do clube.

Entre essas receitas, estão os direitos de transmissão da TV Globo, 30% dos direitos da Record, pelo Campeonato Carioca, assim como outros 30% de premiações e das receitas do programa de sócio-torcedor, da VascoTV e dos patrocinadores do clube.

A diretoria vascaína já se manifestou dizendo que, a decisão judicial inviabiliza completamente o funcionamento da instituição e pode provocar seu fechamento.

O que irritou a diretoria é que o clube vinha se organizando para equilibrar as finanças e contava com a compreensão dos envolvidos para a abertura de negociações.

O próprio Juiz Fernando Reis de Abreu, segundo a nota oficial do Vasco, teria se mostrado compreensivo, em decisão anterior, tomada apenas quatro dias antes da sentença, de que Justiça e clube encontrariam um “denominador comum”. Aliás, o clube chegou a fazer acordo com o Ministério Público do Trabalho. O problema é que o processo judicial vinha se arrastando desde 2014.

A execução das dívidas trabalhistas é apenas mais capítulo de um drama que parece eterno. Desde 2008, ano do primeiro rebaixamento, a vida do torcedor vascaíno é repleta de decepções.

É difícil definir as razões específicas para a decadência do clube da quinta maior torcida do Brasil, mas elas passam por décadas de falta de transparência e controle da gestão, e pela falta de capacidade dos últimos mandatários em elaborar projetos viáveis de parceria, acordos para o saneamento gradual das dívidas e boas ideias compatíveis com o tamanho da marca Vasco da Gama.

A salvação para a crise atual pode estar na nova lei que instituiu o clube-empresa no Brasil, que apresenta, entre suas possibilidades, o Regime Centralizado de Execuções, com prazo maior para pagamento a credores.

Mas a discussão sobre a transformação do Vasco em clube-empresa é um vespeiro junto à oposição, aos conselheiros e à boa parte dos torcedores. Além de a transformação, por si só, sem um bom aporte financeiro, não resolver nada, há sempre o temor de mudanças radicais nas cores, no uniforme e em outros aspectos tradicionais, para atender aspectos comerciais, que podem descaracterizar a história centenária do clube – como aconteceu com o Bragantino, por exemplo, que agora é vermelho e branco e tem nome de energético.

Por Paulo Pellegini

BNC Esportes

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