SÃO LUIS – 27 de novembro de 2021, a data mais aguardada para torcedores de Flamengo e Palmeiras, que, pela segunda vez, desde que se tornaram os primos ricos do futebol brasileira, medem forças em uma final.

Da primeira vez, deu Flamengo, em um jogo que, em tese, foi apenas a cereja do bolo, pois a Supercopa do Brasil já é um duelo entre campeões.

Agora, pela final da Libertadores, os times entram sem nada e só um sairá com alguma coisa.

A Libertadores está se transformando em um torneio de duas características diferentes do que já foi um dia.

A primeira é ser um torneio inchado, repleto de times de baixa qualidade, o que faz com que os grandes times tenham pouca dificuldade para avançar de fase. Antes, eram apenas 2 times por país e apenas um se classificava por grupo na primeira fase.

A segunda é servir de palco, cada vez mais claramente, para o desfile do poderio econômico. Desde 2017, apenas brasileiros e argentinos vencem. Desde 2019, apenas brasileiros. Desde 2020, apenas brasileiros fazem a final.

Para se ter uma ideia, entre 2008 e 2017, as 10 finais tiveram 20 clubes diferentes, o que mostrava a imprevisibilidade da competição. Esses 20 clubes representavam 6 dos 10 países da Conmebol. De 2018 para cá, todas as 4 finais tiveram apenas Flamengo, Palmeiras, River, Boca e Santos. Com exceção do Santos, todos os demais com elenco milionário e grandes orçamentos.

Mas Flamengo e Palmeiras não podem ser culpados por terem se refeito financeiramente e estão, de forma justa, colhendo os benefícios.

Então, o jogo do dia 27 é um tira-teima entre dois gigantes da Libertadores dos tempos atuais. Mas, na bola, não para colocá-los no mesmo nível, pois mais que a decisão esteja sendo encarada como “jogo do século” ou “a final que todos queriam”.

O Flamengo é uma verdadeira seleção, com jogadores de nível internacional em quase todas as posições, enquanto que o Palmeiras ensaiou ser assim quando começou a investir, mas nunca conseguiu.

Os jogos do Flamengo são verdadeiros espetáculos e os Palmeiras, um martírio. Uma vez ou outra, o Flamengo joga mal. Uma vez ou outra, o Palmeiras joga bem.

Dirão que se trata de um jogo só e o Palmeiras de Abel Ferreira já mostrou que gosta desse tipo de desafio, de jogar como azarão, cercando cada centímetro do gramado para minar o adversário mais ofensivo. Inclusive que o Palmeiras fez isso contra o Flamengo na decisão da Supercopa, e só não venceu porque não sabe cobrar pênaltis.

Mas contra o Flamengo, com todo o seu poderio individual, é muito difícil ganhar sem jogar, porque em uma única bola os craques rubro-negros decidem. Esse foi o gosto amargo que o time paulista sentiu nessa partida. Taticamente, fez tudo certo, mas não conseguiu parar o brilho dos craques do rival.

E fora essa partida, o que se vê é uma dificuldade imensa do Palmeiras nos demais jogos contra o Flamengo ultimamente. O Alviverde simplesmente não consegue achar uma forma de encarar o rubro-negro.
Assim, essa final, na verdade, é o jogo entre o grande favorito e o time que desafiou as probabilidades, mas que, justamente contra esse favorito, terá contra si as mais probabilidades possíveis.

Nos resta aguardar.

Por Paulo Pellegrini

BNC Esportes

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