Currículo em contexto africano é tema de abertura da Semana dos Estudos Afro-Brasileiros

GRANDE ILHA – Com o tema “África em suas múltiplas linguagens”, começou na segunda-feira, 17, no Auditório do Prédio de Arquitetura e Urbanismo da UEMA, a V Semana Interdisciplinar dos Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, objetivando oferecer embasamento para o ensino da História Africana centrado na reflexão sobre os desafios e as possibilidades atuais do continente africano, em toda a sua diversidade.

A palestra de abertura foi ministrada pela professora do Centro de Estudos Moçambicanos e de Etnociências (Cemec) da Universidade Pedagógica de Moçambique, Emília Nhalevilo, com o tema “Currículo e Pesquisa em contexto africano: desconstruindo o círculo”, em que apresentou algumas reflexões sobre o tema e propostas sobre como tentar desconstruir e cortar o círculo vicioso entre a pesquisa e o currículo.

A palestrante apresentou os conceitos da leitura de um autor sul-africano sobre a Pedagogia do Empoderamento. O ponto essencial nessa pedagogia, na perspectiva da docente, é que as pessoas precisam dominar a língua e a linguagem crítica para poder também ter ações críticas. “Esta Pedagogia do Empoderamento leva a língua a um grau elevado de importância, porque, de fato, nós temos que aprendê-la para podermos ser críticos na linguagem e nas nossas ações”, afirmou.

Na análise de Emília Nhalevilo, a perspectiva é que não haja razão para que a sociedade continue a privilegiar o norte ocidental. “Privilegiando o currículo do ocidente, há muita coisa que entra em jogo, como a língua, os princípios didáticos e a promoção dos valores. Então tudo isso vai suprimindo as nossas culturas e as nossas formas de ver o mundo”, alertou.

De acordo com a coordenadora do curso de Licenciatura em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, a professora Kátia Regis, o encontro realça a heterogeneidade cultural e o debate de novos fundamentos. “A importância da realização deste evento com foco no debate da África em suas múltiplas linguagens propicia esse olhar para o continente africano, destacando toda a diversidade e a possibilidade de que o ensino da história da cultura africana e afro-brasileira seja realizado com base em novos fundamentos epistemológicos em diálogos com pesquisadores africanos”, lembrou.

O vice-reitor da UFMA, Fernando Carvalho, falou da importância da cooperação entre Brasil e Moçambique: “Essa troca de saberes é muito importante para a nossa universidade porque nos faz avançar mais. Além da cooperação pedagógica, devemos ter também cooperações culturais e trazer experiências culturais africanas”.

Já o secretário de Estado de Igualdade Racial, Gérson Pinheiro, acredita que “a administração do estado precisa andar de mãos dadas com a academia”, em suas palavras. O estudante do curso de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros e diretor de Negros/Negras do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Charles Alves, destacou que os debates durante o evento são sempre incremento para os conhecimentos científicos e pedagógicos.

O professor do curso de Licenciatura em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Richard Christian destacou que cada uma das atividades, tanto as mesas-redondas como as conferências, contribui justamente para mostrar os diferentes olhares, aspectos e áreas de conhecimento científico na reflexão holística da educação.

“Considerando o caráter interdisciplinar do curso e toda a legislação sobre a educação das relações étnico-raciais, que também prevê o trabalho por meio da interdisciplinaridade, é pontual para se fazer essas discussões sobre as linguagens, porque com isso estamos falando de diferentes manifestações culturais, saberes, tecnologias e sobre como toda essa produção intelectual está contextualizada numa sociedade”, pontuou o docente.

BNC Educação

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